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quarta-feira, 27 de maio de 2020

Resenha: Cristianismo puro e simples (C. S. Lewis, 1942-52)

Ed. Thomas Nelson Brasil, 288pp (2017)
"A maioria de nós não examina o cristianismo a fundo para descobrir o que ele realmente diz: nós o abordamos na esperança de encontrar nele apoio para as nossas próprias perspectivas partidárias." (pg. 126)

"Se você não dá ouvidos à Teologia, isso não vai significar ausência de ideias sobre Deus, mas sim a presença de um monte de ideias erradas sobre ele - ideias más, confusas, obsoletas. Pois uma grande quantidade de ideias sobre Deus, disseminadas hoje como se fossem novidades, não são nada além daquelas que os verdadeiros teólogos testaram séculos atrás e rejeitaram." (pg. 206)

Considerada como "a obra religiosa mais influente do séc. XX", "Cristianismo puro e simples", ou, como a chamou o autor, em inglês, "Mero Cristianismo" (Mere Christianity), já empolga por suas circunstâncias. Lewis ("Jack" para os íntimos) é o mesmo autor das famosas "Crônicas de Nárnia", um clássico da literatura fantástica. Ele também teve o papel de "parteiro literário" de outra obra de fantasia, que mexe com o público até hoje, "O senhor dos anéis", de J. R. R. Tolkien, com quem tinha uma forte e inspiradora amizade. Além disso, o livro é uma apologética do cristianismo, por um... ex-ateu! Lewis foi "convertido" durante um passeio noturno entre árvores por... Tolkien, católico fervoroso. Por fim, o momento de sua elaboração nos causam arrepios: o texto se origina de seus discursos na estação da Força Aérea Real, depois melhor elaborados para transmissões radiofônicas pela BBC, durante a Segunda Guerra Mundial, pouco após a Inglaterra ter estado sob intenso bombardeio aéreo pela Luftwaffe nazista.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Resenha: Jesus Cristo é Deus? (Laburu, 1933)

Cléofas/Loyola, 4ª. ed. (2013)
"A troco de negarem que Jesus Cristo é Deus, não lhes importa [aos críticos] conceder-lhe o que concedem. Negar, com todas as forças, que Jesus Cristo seja Deus, mas exaltá-lo como homem até o ideal. Mas, reparai, senhores: é precisamente daquilo que concedem a Jesus Cristo como homem que se conclui, de maneira intuitiva, ser ele Deus." (Excerto da pág. 74)

Embora tenha um título que remeta a uma defesa da divindade de Jesus (como a segunda Pessoa da Santíssima Trindade), e, de  fato, também o faça, este livro trata antes de um esforço do autor em conduzir o leitor pela via da razão e do bom senso a considerar com seriedade a chamada "questão religiosa", vilipendiada pelos que se tomam como homens práticos e de ciência. É, na verdade, uma "transcrição" de cinco conferências que o autor, padre jesuíta (daí o "SJ", "Societas Jesu", "Companhia de Jesus", em latim), proferiu em 1933, publicados originalmente em Madri com o título ¿Jesucristo es Dios? Conferencias cuaresmales, livro que ficou conhecido como "máquina de fazer católicos".

quinta-feira, 26 de março de 2020

Dia da Anunciação do Senhor (25 de março)

Dos quatro Evangelhos, apenas um narra a Anunciação, isto é, a visita do anjo Gabriel a Maria, quando ele lhe anuncia que ela gerará e dará à luz o Messias (Lucas 1:26-39). 


Segue uma breve reflexão sobre o texto de Lucas a partir do original grego.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Resenha: Jesus, o Filho do Homem (Khalil Gibran, 1928)

Martin Claret (2014), bolso, 165 páginas
"Mas esse homem, Jesus, esse Nazareno, Ele falou de um Deus tão vasto que não se parece com a alma de qualquer homem, sábio demais para punir, amoroso demais para lembrar os pecados de todas as Suas criaturas. E esse Deus do Nazareno irá passar através dos limiares da consciência dos filhos da terra e sentará à lareira deles e será uma bênção no interior de seus muros e uma luz sobre o caminho deles." (Um filósofo persa em Damasco)

O que um muçulmano tem a ver com Jesus? Essa é uma pergunta que encerra duas ignorâncias fundamentais. A primeira, a do desconhecimento de que o Islã vê Jesus (em árabe ʿĪsā) como um mensageiro de Deus de uma maneira especial, talvez até mais que Maomé, uma vez que seu nome aparece mais vezes no Alcorão do que o do Profeta, e atribuem-se a ele qualidades sobre-humanas que Maomé jamais arrogou a si mesmo. A segunda, de que Khalil Gibran (pronuncia-se, aproximadamente, /Jubrã/), embora nascido no Líbano, veio de família cristã maronita, intimamente ligada à Santa Sé da Igreja Católica, religião que desempenha importante papel cultural e político na história de seu país, por exemplo, na chefia do estado (com duas exceções, desde o Pacto Nacional de 1943, todo presidente do Líbano é maronita) e na língua siríaca empregada na liturgia, dialeto originado do idioma que teria sido falado por Jesus, o aramaico. Gibran recebeu também influência do Islã, em especial dos sufis (místicos muçulmanos) e da Fé Bahá'í, tendo, portanto, uma formação religiosa multi-confessional.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Resenha: "Há dois mil anos" (Chico Xavier, 1939)

FEB, 495 páginas
"A expiação não seria necessária no mundo, para burilamento da alma, se compreendêssemos o bem, praticando-o por atos, palavras e pensamentos" (Emmanuel)

Para o cético, a autoria desta obra cabe ao mineiro Francisco Cândido Xavier (1910 - 2002), de cujas mãos saíram mais de 400 obras, muitas das quais com tiragem de milhões de exemplares, portanto entre os títulos mais lidos da produção literária nacional. Dessa forma, sendo Chico Xavier o autor, por que então seu nome não figuraria na galeria dos grandes escritores brasileiros?

Para milhões de espíritas e simpatizantes, porém, "Há dois mil anos" foi produzido através de um fenômeno mediúnico chamado "psicografia", por meio do qual uma entidade espiritual se manifesta no plano material e dirige um veículo humano, o médium, para a escrita de suas ideias. Aliás, por esse motivo, Chico Xavier renunciou aos direitos autorais de todo seu trabalho porque "os livros não são meus, são obra dos espíritos".