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domingo, 16 de novembro de 2014

Resenha: Depois da morte (Léon Denis, 1889)

FEB (26ª. ed., 2007), 336 páginas
"Quando a Química nos ensina que nenhum átomo se perde, quando a Física nos demonstra que nenhuma força se dissipa, como acreditar que esta unidade prodigiosa em que se resumem todas as potências intelectuais, que este eu consciente, em que a vida se desprende das cadeias da fatalidade, possa dissolver-se e aniquilar-se?" (grifo do autor).

Essa foi a grande questão que o francês Léon Denis perseguiu desde a juventude. Autodidata que afundava nos livros, aos dezoito anos se deparou, por acaso, com "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, que direcionou sua vida para o campo do experimentalismo psíquico, da filosofia espírita e para o trabalho de defesa e divulgação da Doutrina, que, na França, lhe rendeu o epítome de "Apóstolo do Espiritismo". De cidade em cidade, muitas vezes a pé, com cajado na mão, Denis realizou palestras e conferências, e escreveu brochuras sobre a existência de Deus, as bases lógicas e empíricas da vida após a morte e as implicações morais daí decorrentes. Aos 43 anos, Denis publicou "Depois da Morte" (Après la Mort), que sintetiza sua bandeira de luta, uma "filosofia serena e profunda", que moveu um enlutado ateu a se expressar desta forma: "Li 'Depois da morte' e chorei as lágrimas mais doces de minha vida [...] Gostaria de ser rico para editá-lo aos milhões e vê-lo em todas as mãos, sobre toda a Terra. Nada jamais será escrito em qualquer língua que seja tão grande e tão belo" (Em "Léon Denis,  L'Apôtre du Spiritisme - Sa vie, son œuvre").

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Resenha: Reencarnação - vinte casos (Ian Stevenson, 1974)

Vida & Consciência (2011), 520 páginas
"No dia 19 de janeiro de 1951, Ashok Kumar, conhecido como Munna, filho de seis anos de Sri Jageshwar Prasad, [...] foi atraído para longe do local onde brincava e brutalmente assassinado, com uma faca ou lâmina, por dois vizinhos [...] Alguns anos depois, [o pai] ficou sabendo que um menino nascido em outro Distrito de Kanauj, em julho de 1951 [...] havia descrito a si mesmo como o filho de Jageshwar, um barbeiro do Distrito de Chhipatti, e havia dado detalhes de 'seu' assassinato, dizendo o nome dos assassinos, o local do crime e outras circunstâncias da cidade e da morte Munna" (O caso de Ravi Shankar).

Foi no livro "A explicação do inexplicável" (Explaining the Unexplained: Mysteries of the Paranormal, 1982) que tomei conhecimento das pesquisas do psiquiatra canadense Ian Stevenson a respeito da reencarnação. O psicólogo britânico Carl Sargent e o psiquiatra alemão Hans Jürgen Eysenck apresentam naquela obra diversas evidências (ou pelo menos indícios intrigantes) da sobrevivência da alma após a morte do corpo físico, como os fenômenos de poltergeist, as experiências de quase morte (EQM), experimentos do tipo ganzfeld (percepção extrassensorial), comunicações mediúnicas e, finalmente, relatos de lembranças de vidas passadas investigados por diversos cientistas ao redor do mundo, mas com destaque para o pioneirismo de Stevenson. "O que mais qualifica o trabalho de Stevenson é seu profissionalismo próximo do intimidante", comentam. De fato, em cerca de 50 anos de diligência, mais de 2.500 casos foram catalogados com cuidado obsessivo. Embora cauteloso quando aos dados levantados nesse incipiente campo de pesquisa, Stevenson chega a afirmar com segurança que "alguns dos [vinte] casos [deste livro] fazem muito mais do que sugerir a reencarnação: parecem oferecer boas provas".

domingo, 9 de novembro de 2014

Resenha: E a vida continua... (Chico Xavier, 1968)

FEB (2007), 296 páginas
"Somos viajores do berço para o túmulo e do túmulo para o berço, renascendo na Terra e na Espiritualidade, tantas vezes quantas se fizerem precisas, aprendendo, renovando, retificando e progredindo sempre, conforme as Leis do Universo, até alcançarmos a Perfeição, nosso destino comum..."

Com este livro, o médium Chico Xavier encerra a série de 13 obras ditadas pelo espírito André Luiz, batizada pela Federação Espírita Brasileira (FEB) de "A vida no mundo espiritual", que trouxe diversas "atualizações" à Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec em meados do século XIX. Aliás, "E a vida continua" traz uma homenagem ao primeiro centenário do livro "A Gênese", última obra do pensador francês, de 1868, traçando um paralelo com o fechamento da codificação kardecista. Aqui, após 24 anos desde o lançamento de "Nosso Lar" (1944), André Luiz também fecha sua contribuição sistemática ao Espiritismo com revelações acerca da chamada erraticidade (a vida do espírito entre a morte do corpo físico e o renascimento em nova encarnação); do intercâmbio entre os dois planos, físico e espiritual; dos processos mediúnicos e obsessivos; acerca da reencarnação e da justiça divina; e, como de praxe na literatura espírita, também traz exemplos da aplicação prática dos ensinos de Cristo, tendo em vista o progresso espiritual dos leitores. Particularmente, trata de questões ligadas ao amor, pois "estamos situados na faixa de expressiva transição, a transição do amor narcisista para o amor desinteressado", e aí Emmanuel, guia espiritual do médium, reconhecendo a relevância do tema, prefacia "o novo livro de André Luiz na certeza de que surpreenderemos em suas páginas muitos pedaços de nossa própria história".

domingo, 14 de setembro de 2014

Resenha: "Sexo e Destino" (Chico Xavier e Waldo Vieira, 1963)

FEB (2009), 456 páginas
"Reduzi, quanto puderes, as quedas de consciência! Quando não seja por vós, fazei-o pelos mortos, que vos amam de uma vida mais bela!"

Grande romance psicografado pelos médiuns Waldo Vieira e Chico Xavier, "Sexo e Destino" traz um valioso estudo de caso em que o sexo aparece como pivô das mais diversas vicissitudes da vida do Homem, tanto como força de derrocada moral, sob o desvio impresso pelos desvarios sentimentais, quanto "atributo divino na individualidade humana", ensejando a sublimação dos seres.

Com o manifesto objetivo de que possamos "aprender com a biblioteca da experiência", o autor espiritual alinhava uma trama na qual os personagens desta "biografia de grupo" tomarão a lição de que "o amor e o sexo plasmam responsabilidades naturais na consciência de cada um e que ninguém lesa alguém nos tesouros afetivos sem dolorosas reparações". 

Apresentando os casos como verídicos, em mensagem psicografada em julho de 1963, o autor prefacia sua pungente narrativa elucidando que "sexo e destino, amor e consciência, liberdade e compromisso, culpa e resgate, lar e reencarnação constituem os temas deste livro, nascido na forja da realidade cotidiana".

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Resenha: "Há dois mil anos" (Chico Xavier, 1939)

FEB, 495 páginas
"A expiação não seria necessária no mundo, para burilamento da alma, se compreendêssemos o bem, praticando-o por atos, palavras e pensamentos" (Emmanuel)

Para o cético, a autoria desta obra cabe ao mineiro Francisco Cândido Xavier (1910 - 2002), de cujas mãos saíram mais de 400 obras, muitas das quais com tiragem de milhões de exemplares, portanto entre os títulos mais lidos da produção literária nacional. Dessa forma, sendo Chico Xavier o autor, por que então seu nome não figuraria na galeria dos grandes escritores brasileiros?

Para milhões de espíritas e simpatizantes, porém, "Há dois mil anos" foi produzido através de um fenômeno mediúnico chamado "psicografia", por meio do qual uma entidade espiritual se manifesta no plano material e dirige um veículo humano, o médium, para a escrita de suas ideias. Aliás, por esse motivo, Chico Xavier renunciou aos direitos autorais de todo seu trabalho porque "os livros não são meus, são obra dos espíritos".

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Reunião Pública: "A realeza de Jesus"

Reunião pública de 29 de abril de 2014 no Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo.

A proposta das reuniões é leitura e comentário sobre passagem de "O Evangelho segundo o Espiritismo", de Allan Kardec. O livro, publicado em 1864, compõe-se de comentários de Kardec e mensagens mediúnicas a respeito das máximas cristãs, mormente dos Evangelhos, ressaltando os ensinamentos morais e a aplicação deles. Aqui, comentamos o capítulo II, "Meu reino não é deste mundo", seção 4, "A realeza de Jesus".

LEITURA

A realeza de Jesus


Todos entendem que o reino de Jesus não é deste mundo. Mas será que isso também significa que Jesus não tenha uma realeza sobre a Terra?

Não é sempre que o título de "rei" implica um poder temporal. Ele também é dado, por consentimento unânime, àquele que se destaca por seu gênio no âmbito de qualquer ideia, que domina seu século e que tem influência sobre o progresso da humanidade. É neste sentido que se diz "rei (ou príncipe) dos filósofos", "rei dos artistas", "rei dos poetas", "rei dos escritores", etc.


Não é verdade que esse tipo de realeza, nascida do mérito pessoal e consagrada pela posteridade, tenha frequentemente uma preponderância bem maior que aquela realeza que usa uma coroa [material]? A realeza moral é imperecível, enquanto que a outra é jogo das circunstâncias. Ela é sempre abençoada pelas gerações futuras, enquanto que a outra, às vezes, é até amaldiçoada. A realeza terrena acaba junto com a vida. Já a realeza moral continua a governar, e ainda mais após a morte.

Então, com esse título, não seria Jesus um rei muito mais poderoso que muitos potentados? Portanto, é com razão que ele disse a Pilatos: "Sou rei, mas meu reino não é deste mundo". (
Tradução livre)