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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Releitura: Eclesiastes 12:1-8

Esta passagem de Eclesiastes é uma das mais famosas das Escrituras. Atribui-se a Salomão, o sábio rei hebreu, a autoria deste e outros dois livros, também poéticos, que compõem o cânon do Tanakh, o Antigo Testamento.

O nome do livro em grego, Ekklēsiastēs, significa "congregante", "aquele que convoca os de fora", e deriva da mesma palavra que dá origem a "igreja", ekklēsia, que é, não o templo ou o local de rito da fé, mas a própria massa dos congregados, que vieram de (ek-) fora atendendo a um chamado (-klēsia). Aqui, o chamado do sábio rei ecoa pelas eras, endereçado aos jovens, ainda hoje com um apelo irresistível, seja pelo vigor das palavras, pela mensagem - até mesmo por suscitar tantas interpretações -, seja pelo conteúdo espiritual, que interpreto como segue, de forma livre, numa releitura em que busco aproveitar o significado metafórico da intraduzível poesia hebraica.

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sábado, 20 de agosto de 2016

Reforma íntima: "Pobres de espírito"

"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus."(Mateus 5:3, tradução Almeida Corrigida e Revisada Fiel)

Mendicante em Mumbai, Índia.
Dado o sentido de "intelectualmente inepto" atribuído à expressão "pobre de espírito", esse versículo soa um tanto despropositado e, não sem razão, há exegeses objetivando desconstruir o equívoco a que pode dar ensejo na interpretação das palavras de Jesus. Huberto Rohden (1893 - 1981), filósofo brasileiro, em "O Sermão da Montanha", diz que poucas passagens do Evangelho foram tão adulteradas como essas, que muitos "aderem à blasfêmia de que o Nazareno tenha proclamado bem-aventurados [...] os apoucados de inteligência, os idiotas e imbecis, os mentalmente medíocres", uma interpretação proverbial que atesta a "hilariante ignorância" e a "revoltante arrogância" de seus autores, que profanam uma das mais sublimes mensagens do Cristo, fazendo o próprio Jesus imerecedor do Reino dos Céus. Por sua vez, Allan Kardec (1804 - 1869), pensador francês, diz que os incrédulos até zombam dessa máxima, como se Jesus tivesse se referido aos "baldos de inteligência".

Neste artigo, apresento uma interpretação minha com base na etimologia do texto grego original, sem a pretensão de que esta seja a única forma de analisá-lo, sequer que seja a única correta.