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quinta-feira, 28 de maio de 2020

Resenha: Salve, Santa Rainha (Scott Hahn, 2013)

Ed. Cléofas, 6ª. ed. (2018, 144pp)
"Quantas igrejas cristãs estão cumprindo a profecia do Novo Testamento de que 'todas as gerações' [chamarão Maria de] 'Bem-aventurada'?" (pg. 18)

"Sem [Maria], nossa compreensão da salvação nunca será familiar, pois terá parado na antiga Aliança, onde a paternidade de Deus era considerada uma simples figura e a filiação do homem era mais parecida com servidão." (pg. 73)

Nossa Senhora, como Cristo no mundo, é mesmo um "sinal de contradição" entre os cristãos. Embora Lutero, iniciador do Protestantismo, houvesse defendido a dignidade singular de Maria, como Mãe de Deus e imaculada (nascida sem pecado), nos meios evangélicos, porém, ou se silencia a seu respeito, ou se acirram os ânimos contra seu culto e sua posição doutrinária entre católicos e ortodoxos. Acusações de "mariolatria", de que a devoção mariana faz da desconhecida mãe de Jesus uma "deusa", inclusive com seus "ídolos", chegaram mesmo às "vias de fato" do vilipêndio religioso, como o famoso "Chute da Santa", de 12 de outubro de 1995 (dia de N.Sª. da Conceição Aparecida), por um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, em rede televisiva nacional. Veja aqui a matéria do Jornal Nacional (Youtube). Karl Barth, importante teólogo protestante, chegou a afirmar que a mariologia era uma "excrescência da teologia" e que deveria ser cortada como um tumor,  e que, onde houvesse o culto de Maria, lá não estava a igreja de Cristo.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Resenha: Jesus Cristo é Deus? (Laburu, 1933)

Cléofas/Loyola, 4ª. ed. (2013)
"A troco de negarem que Jesus Cristo é Deus, não lhes importa [aos críticos] conceder-lhe o que concedem. Negar, com todas as forças, que Jesus Cristo seja Deus, mas exaltá-lo como homem até o ideal. Mas, reparai, senhores: é precisamente daquilo que concedem a Jesus Cristo como homem que se conclui, de maneira intuitiva, ser ele Deus." (Excerto da pág. 74)

Embora tenha um título que remeta a uma defesa da divindade de Jesus (como a segunda Pessoa da Santíssima Trindade), e, de  fato, também o faça, este livro trata antes de um esforço do autor em conduzir o leitor pela via da razão e do bom senso a considerar com seriedade a chamada "questão religiosa", vilipendiada pelos que se tomam como homens práticos e de ciência. É, na verdade, uma "transcrição" de cinco conferências que o autor, padre jesuíta (daí o "SJ", "Societas Jesu", "Companhia de Jesus", em latim), proferiu em 1933, publicados originalmente em Madri com o título ¿Jesucristo es Dios? Conferencias cuaresmales, livro que ficou conhecido como "máquina de fazer católicos".

sábado, 20 de agosto de 2016

Reforma íntima: "Pobres de espírito"

"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus."(Mateus 5:3, tradução Almeida Corrigida e Revisada Fiel)

Mendicante em Mumbai, Índia.
Dado o sentido de "intelectualmente inepto" atribuído à expressão "pobre de espírito", esse versículo soa um tanto despropositado e, não sem razão, há exegeses objetivando desconstruir o equívoco a que pode dar ensejo na interpretação das palavras de Jesus. Huberto Rohden (1893 - 1981), filósofo brasileiro, em "O Sermão da Montanha", diz que poucas passagens do Evangelho foram tão adulteradas como essas, que muitos "aderem à blasfêmia de que o Nazareno tenha proclamado bem-aventurados [...] os apoucados de inteligência, os idiotas e imbecis, os mentalmente medíocres", uma interpretação proverbial que atesta a "hilariante ignorância" e a "revoltante arrogância" de seus autores, que profanam uma das mais sublimes mensagens do Cristo, fazendo o próprio Jesus imerecedor do Reino dos Céus. Por sua vez, Allan Kardec (1804 - 1869), pensador francês, diz que os incrédulos até zombam dessa máxima, como se Jesus tivesse se referido aos "baldos de inteligência".

Neste artigo, apresento uma interpretação minha com base na etimologia do texto grego original, sem a pretensão de que esta seja a única forma de analisá-lo, sequer que seja a única correta.

sábado, 26 de julho de 2014

Resenha: "Uma história politicamente incorreta da Bíblia" (Robert J. Hutchinson)

Ed. Agir; 256 páginas
"Ao modelar a civilização - e aqui falamos da lei, do governo, da ciência, da mídia e da educação ocidentais -, a Bíblia deu formato ao mundo."

Publicado nos EUA em 2007, este livro é uma resposta concisa mas inteligente (e até malcriada!) a uma série de (des)informações que são divulgadas contra a Bíblia, e a religião em geral, que pervasivamente têm-se constituído na opinião politicamente correta (e chic!) sobre o livro que, além de sagrado para e base da fé de um terço da humanidade, também deu "formato ao mundo".

Embora breve (que são 256 páginas para abordar tão vasto e polêmico tema?), Hutchinson se vale duma escrita que torna o texto fartamente instrutivo, engatilhando para o leitor sinceramente interessado em ter uma visão equilibrada sobre a autenticidade, o papel e o valor das Escrituras, referências e vínculos que trarão a lume réplicas e contra-argumentos do outro prato muitas vezes silenciado e ridicularizado na balança dos debates.