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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Resenha: O banquete do Cordeiro (Scott Hahn, 1999)

Cléofas/Loyola (2014), 161pp
"A necessidade primordial que o homem tem de adorar a Deus se expressa no sacrifício: a adoração é simultaneamente ato de louvor, expiação, dádiva de si mesmo, aliança e ação de graças [...] [Mesmo] Gandhi, que era hindu, chamou o 'culto sem sacrifício' de absurdo da época moderna."

"A liturgia que celebramos na terra é misteriosa participação na liturgia celeste."

"Há só um sacrifício, ele é perpétuo e eterno e, assim, jamais precisa ser repetido. No entanto, a missa é nossa participação nesse sacrifício único e na vida eterna da Trindade no céu [...] A missa faz presente no tempo, o que o Filho faz desde toda a eternidade."

"A chave para entender a missa é o livro bíblico do Apocalipse. [Mais:] a missa é o único meio para o cristão descobrir o sentido do livro do Apocalipse."

Este breve e instigante livro traz a percepção original que fez Scott Hahn, protestante calvinista e doutor das Sagradas Escrituras, especialmente do Apocalipse, converter-se ao Catolicismo. Entrou discretamente numa igreja, num subsolo, com a Bíblia a tiracolo, para estudar o que era até então, para ele, "o maior sacrilégio que alguém poderia cometer": a missa. Perplexo com as conexões alarmantes do rito litúrgico com o cenário sacerdotal do Apocalipse, Hahn voltou no dia seguinte, e depois, e depois,... até os dias hoje. Sua experiência, pode bem ser expressada pelas mesmas palavras dos enviados do príncipe Vladimir, de Kiev, ao voltarem de Constantinopla, no ano 988 d.C., após assistirem à liturgia bizantina (a mesma que Hahn viu), resultando na conversão do que hoje é a Ucrânia ao Cristianismo: "Não sabíamos se estávamos no céu ou na terra. Nunca vimos tanta beleza... Não sabemos descrevê-la, mas disto temos certeza: ali, Deus habita entre a humanidade".

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Resenha: Jesus Cristo é Deus? (Laburu, 1933)

Cléofas/Loyola, 4ª. ed. (2013)
"A troco de negarem que Jesus Cristo é Deus, não lhes importa [aos críticos] conceder-lhe o que concedem. Negar, com todas as forças, que Jesus Cristo seja Deus, mas exaltá-lo como homem até o ideal. Mas, reparai, senhores: é precisamente daquilo que concedem a Jesus Cristo como homem que se conclui, de maneira intuitiva, ser ele Deus." (Excerto da pág. 74)

Embora tenha um título que remeta a uma defesa da divindade de Jesus (como a segunda Pessoa da Santíssima Trindade), e, de  fato, também o faça, este livro trata antes de um esforço do autor em conduzir o leitor pela via da razão e do bom senso a considerar com seriedade a chamada "questão religiosa", vilipendiada pelos que se tomam como homens práticos e de ciência. É, na verdade, uma "transcrição" de cinco conferências que o autor, padre jesuíta (daí o "SJ", "Societas Jesu", "Companhia de Jesus", em latim), proferiu em 1933, publicados originalmente em Madri com o título ¿Jesucristo es Dios? Conferencias cuaresmales, livro que ficou conhecido como "máquina de fazer católicos".

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Resenha: Jesus, o Filho do Homem (Khalil Gibran, 1928)

Martin Claret (2014), bolso, 165 páginas
"Mas esse homem, Jesus, esse Nazareno, Ele falou de um Deus tão vasto que não se parece com a alma de qualquer homem, sábio demais para punir, amoroso demais para lembrar os pecados de todas as Suas criaturas. E esse Deus do Nazareno irá passar através dos limiares da consciência dos filhos da terra e sentará à lareira deles e será uma bênção no interior de seus muros e uma luz sobre o caminho deles." (Um filósofo persa em Damasco)

O que um muçulmano tem a ver com Jesus? Essa é uma pergunta que encerra duas ignorâncias fundamentais. A primeira, a do desconhecimento de que o Islã vê Jesus (em árabe ʿĪsā) como um mensageiro de Deus de uma maneira especial, talvez até mais que Maomé, uma vez que seu nome aparece mais vezes no Alcorão do que o do Profeta, e atribuem-se a ele qualidades sobre-humanas que Maomé jamais arrogou a si mesmo. A segunda, de que Khalil Gibran (pronuncia-se, aproximadamente, /Jubrã/), embora nascido no Líbano, veio de família cristã maronita, intimamente ligada à Santa Sé da Igreja Católica, religião que desempenha importante papel cultural e político na história de seu país, por exemplo, na chefia do estado (com duas exceções, desde o Pacto Nacional de 1943, todo presidente do Líbano é maronita) e na língua siríaca empregada na liturgia, dialeto originado do idioma que teria sido falado por Jesus, o aramaico. Gibran recebeu também influência do Islã, em especial dos sufis (místicos muçulmanos) e da Fé Bahá'í, tendo, portanto, uma formação religiosa multi-confessional.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Reunião Pública: "A realeza de Jesus"

Reunião pública de 29 de abril de 2014 no Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo.

A proposta das reuniões é leitura e comentário sobre passagem de "O Evangelho segundo o Espiritismo", de Allan Kardec. O livro, publicado em 1864, compõe-se de comentários de Kardec e mensagens mediúnicas a respeito das máximas cristãs, mormente dos Evangelhos, ressaltando os ensinamentos morais e a aplicação deles. Aqui, comentamos o capítulo II, "Meu reino não é deste mundo", seção 4, "A realeza de Jesus".

LEITURA

A realeza de Jesus


Todos entendem que o reino de Jesus não é deste mundo. Mas será que isso também significa que Jesus não tenha uma realeza sobre a Terra?

Não é sempre que o título de "rei" implica um poder temporal. Ele também é dado, por consentimento unânime, àquele que se destaca por seu gênio no âmbito de qualquer ideia, que domina seu século e que tem influência sobre o progresso da humanidade. É neste sentido que se diz "rei (ou príncipe) dos filósofos", "rei dos artistas", "rei dos poetas", "rei dos escritores", etc.


Não é verdade que esse tipo de realeza, nascida do mérito pessoal e consagrada pela posteridade, tenha frequentemente uma preponderância bem maior que aquela realeza que usa uma coroa [material]? A realeza moral é imperecível, enquanto que a outra é jogo das circunstâncias. Ela é sempre abençoada pelas gerações futuras, enquanto que a outra, às vezes, é até amaldiçoada. A realeza terrena acaba junto com a vida. Já a realeza moral continua a governar, e ainda mais após a morte.

Então, com esse título, não seria Jesus um rei muito mais poderoso que muitos potentados? Portanto, é com razão que ele disse a Pilatos: "Sou rei, mas meu reino não é deste mundo". (
Tradução livre)