Revi recentemente o filme "Eu, robô", com Will Smith, e me chama atenção a cena em que o personagem dele tenta humilhar um robô dizendo que este não poderia compor uma obra de arte, uma sinfonia. O robô responde: "você consegue?". É a mesma pergunta que eu faço em nome dos animais: "você consegue expressar a plenitude de sua arrogada racionalidade?". Então, como poderíamos ser superiores com base num atributo que não possuímos plenamente?
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sexta-feira, 12 de agosto de 2016
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Um pequeno exemplo do problema da pecuária
* * *
Considerando que teriam sido vendidos ilegalmente 366 bois (2014-15), a matança ilegal de animais teria sido de pouco mais de 1 boi/dia, apenas por conta de um único frigorífico indiciado.
Considerando a média brasileira de 1,2 bois/ha (hectare), os pecuaristas fornecedores do frigorífico denunciado teriam necessitado de cerca de 305 ha (3,05 km²), em criação extensiva.
"Produção" animal
Uma publicação do IBGE de junho deste ano dá os números da "produção pecuária" do primeiro trimestre de 2015, mais especificamente da "produção animal" (bovinos, suínos e galináceos). E uma publicação acadêmica nos diz quanto de sangue cada animal possui circulando no corpo em ml/kg.
Resultado: em apenas 91 dias (janeiro, fevereiro, e março), o total de sangue derramado foi de 351.510.330 litros, quer dizer, 351,5 milhões de litros de sangue! Em um ano, encheria o equivalente a 56% do volume do Maracanã (daria pra cobrir a arquibancada).
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Resenha: Comer animais (Jonathan Safran Foer, 2009)
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| Ed. Rocco (2011), 320 páginas |
"Ninguém mais pode negar as proporções sem precedentes dessa sujeição do animal [...] Uma sujeição dessas [...] pode ser chamada de violência no sentido mais moralmente neutro do termo [...] Ninguém pode negar com seriedade, ou durante muito tempo, que os homens fazem tudo o que podem para dissimular essa crueldade ou para escondê-la de si mesmos, a fim de organizar numa escala global o esquecimento ou a compreeensão equivocada dessa violência" (Jacques Derrida, filósofo francês, grifo nosso).
Como diz o título da obra, "Comer animais" é sobre... comer animais. Óbvio? No entanto, não é uma obra gastronômica, nem a favor nem contra o uso de animais na alimentação. O foco não é a boa alimentação, mais saudável para o ser humano, nem a dieta alimentar e seus fins estéticos. É uma visão de fora do antropocentrismo que perscruta essa relação tão perturbadora entre o Homem e o Animal no âmbito do que chamamos "comer". Porque "comer" não é só "alimentar-se", sob cuja onipresente justificativa de necessidade, questões de capricho pessoal e cultural criaram uma situação de subjugação, do bicho homem sobre as demais criaturas, sem precedentes na história da cadeia alimentar; e "animal", bem, precisa ter seu significado restaurado, precisa ser resgatado de nosso esquecimento voluntário, afinal "você sabe que galinha é galinha, não sabe?".
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