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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Naufrágio

"Nau+frágio" - quebra da navio...
"Le radeau de la Méduse" (1818/19),
de Théodore Géricault (1791-1824)

Tem um provérbio árabe que diz que só é nosso de verdade aquilo que podemos salvar num naufrágio, ou seja, mal nosso corpo nos pertence, e mal nossa razão, porque podemos enlouquecer com a experiência.

Mas o que mais gosto na ideia de naufrágio é que enfim o homem vê quais são suas verdadeiras prioridades e o quanto ele correu atrás de vento, ensandecido de vaidade. Suas necessidades artificiais desaparecem, ele despenca na pirâmide das necessidades de Maslow, e se vê obrigado a se ver tal como é.

Homo... sapiens?

Tem gente que chia quando ouve o homem sendo comparado desfavoravelmente em relação aos animais e enche a boca pra se vangloriar da tal racionalidade que supostamente o poria acima de qualquer outra criatura vivente.

Revi recentemente o filme "Eu, robô", com Will Smith, e me chama atenção a cena em que o personagem dele tenta humilhar um robô dizendo que este não poderia compor uma obra de arte, uma sinfonia. O robô responde: "você consegue?". É a mesma pergunta que eu faço em nome dos animais: "você consegue expressar a plenitude de sua arrogada racionalidade?". Então, como poderíamos ser superiores com base num atributo que não possuímos plenamente?

sábado, 29 de junho de 2013

Carta de um pele-vermelha ao Grande Cacique cara-pálida

O texto seguinte é de uma carta  (ou parte dela)  que teria sido enviada por um líder indígena ao então 14º. presidente dos EUA, Franklin Pierce, em 1855. Há controvérsias sobre a historicidade do artefato mas o teor da mensagem, autêntica ou não, confrontado com  o  contexto  histórico,  está  acima  da  temporalidade  de  um  provável  evento, manifestando uma consciência profética que nos diz respeito mesmo, e principalmente, hoje em dia.

O líder Si'ahl (c. 1780 - 7/6/1866),  si'áb (cacique) dos  duwamish e  suquamish, povos salish de língua lushootseed, conhecido guerreiro, de alta estatura e voz possante, que se fazia ouvir a mais de 1 km de distância, então idoso, travou amizade com o médico e cofundador da vila de Duwamps, David Swinson "Doc" Maynard. Maynard era uma exceção entre os cara-pálidas, defensor dos direitos civis e da igualdade entre brancos e índios. As ocupações  de  terras  indígenas  vinham  descambando  em  carnificinas  cruentas perpetradas  por  brancos  contra  índios,  índios  contra  brancos  e  índios  contra  índios, intensificando as hostilidades ancestrais entre tribos rivais. Nessa conjuntura, a aliança entre o líder pele-vermelha e uma liderança cara-pálida era providencial para "ambos". Como sinal da bonomia dos brancos, Maynard propôs adotar o nome anglicizado do cacique para a cidade incipiente: rebatizaram a vila de "Seattle".