quarta-feira, 10 de agosto de 2016

"Produção" animal

Uma publicação do IBGE de junho deste ano dá os números da "produção pecuária" do primeiro trimestre de 2015, mais especificamente da "produção animal" (bovinos, suínos e galináceos). E uma publicação acadêmica nos diz quanto de sangue cada animal possui circulando no corpo em ml/kg.
Resultado: em apenas 91 dias (janeiro, fevereiro, e março), o total de sangue derramado foi de 351.510.330 litros, quer dizer, 351,5 milhões de litros de sangue! Em um ano, encheria o equivalente a 56% do volume do Maracanã (daria pra cobrir a arquibancada).




Esse volume equivale 140,6 piscinas olímpicas cheios de sangue (só no primeiro trimestre).

São 15.351.659 (15,3 milhões) animais abatidos por dia. Mais de 177 animais por segundo!

Enquanto você leu o parágrafo anterior, foram mortos cerca de 1.593 animais.

Considerando a manutenção do ritmo de "produção" do primeiro trimestre para o ano todo, basta multiplicar os números do relatório por 4 para termos ideia do volume anual da mortandade infligida a bilhões (cerca de 5,6 bilhões) de seres vivos para a volúpia do paladar e o bel-prazer da mórbida psique humana (cada brasileiro, por ano, é responsável pela morte de cerca de 28 animais, sem descontar os cerca de 8% de vegetarianos).

As estatísticas estão incompletas, não cobrem outras "categorias" de animais executados para o mercado (por exemplo, peixes), ou mortos "por acaso" no processo, nem os abatidos em caçadas; aborda apenas o abate acompanhado por órgãos sanitários, ou seja, não abates clandestinos; não traz informação sobre as condições de "criação" dos animais, nem da forma de "manuseio", transporte e abate. Tampouco fala quanto perdemos em alimento humano (que não é psicofisiologicamente carnívoro) para as pastagens e plantações de forragem; nem as perdas de nutrientes nas taxas de conversão alimentar que desmentiriam a ridícula afirmação de que toda essa matança é para produzir comida. Mas acredito que os números crus já dão um vislumbre de algo que não pode ser mantido fora de nossas considerações morais.

Dia 21 agora aconteceu o "1º. Seminário de Direitos dos Animais do Estado do Amazonas", organizado pela Comissão Especial de Proteção aos Animais da OAB/AM. Curioso como, até no âmbito de um movimento pela defesa dos animais, a questão do consumo de carne, como disse um dos palestrantes, seja algo "[em cujo] mérito não vamos entrar agora". Mas já algo deve dizer sobre a sanidade de nosso senso ético, essa recusa de adquirir consciência sobre os fatos que cercam nossa "alimentação".

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Para quem tiver coragem de adquirir maior consciência sobre o que significa comer animais, uma excelente fonte de informações é o livro "Comer Animais", que recomendamos nesta resenha:

http://lykandros.blogspot.com/2014/10/resenha-comer-animais-jonathan-safran.html

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