"Se a minha vida é apologia contra a minha doutrina, se as minhas palavras vão já refutadas nas minhas obras, se uma cousa é o semeador, e outra o que semeia, como se há de fazer fruto?"
"Basta que havemos de trazer as palavras de Deus a que digam o que nós queremos, e não havemos de querer dizer o que elas dizem!"
Pe. Antônio Vieira (1608-1697) é um dos grandes escritores da língua portuguesa, inclusive reconhecido pelo poeta Fernando Pessoa como o "imperador da língua portuguesa". Numa poesia, Pessoa, diante do "céu [que] estrela o azul e tem grandeza", diz que Vieira, em sua fama e glória, "foi-nos um céu também". Se não é tão celebrado como Camões (se é que este ainda o é), talvez a imagem ao lado explique: uma certa ideologia necrófila criou um silêncio na expectação de converter em inexistência fictícia e, não a podendo engendrar, deseja aniquilar, ainda que em efígie, a presença imortal do Cristianismo na História. É a incorporação da inquisição de seus delírios, com seu próprio Index e seu auto de...ré (sic!).
