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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Resumo: Sermão da Sexagésima (Pe. Antônio Vieira, 1655)

 

Estátua de Vieira em Lisboa vandalizada (2020),
vê-se claramente, por militância de que tipo
de ideologia: hipocrisia e ignorância são uma
marca registrada desse atentado, na cultura e
na educação, contra os ícones de nossa civilização.

"Se a minha vida é apologia contra a minha doutrina, se as minhas palavras vão já refutadas nas minhas obras, se uma cousa é o semeador, e outra o que semeia, como se há de fazer fruto?"

"Basta que havemos de trazer as palavras de Deus a que digam o que nós queremos, e não havemos de querer dizer o que elas dizem!"

Pe. Antônio Vieira (1608-1697) é um dos grandes escritores da língua portuguesa, inclusive reconhecido pelo poeta Fernando Pessoa como o "imperador da língua portuguesa". Numa poesia, Pessoa, diante do "céu [que] estrela o azul e tem grandeza", diz que Vieira, em sua fama e glória, "foi-nos um céu também". Se não é tão celebrado como Camões (se é que este ainda o é), talvez a imagem ao lado explique: uma certa ideologia necrófila criou um silêncio na expectação de converter em inexistência fictícia e, não a podendo engendrar, deseja aniquilar, ainda que em efígie, a presença imortal do Cristianismo na História. É a incorporação da inquisição de seus delírios, com seu próprio Index e seu auto de...ré (sic!).