Para a ocasião deste dia de São João, estava pensando em escrever exatamente a respeito da luta do santo profeta contra Herodes quando saiu este vídeo (abaixo). Também por esses dias, vi o mais recente episódio da segunda temporada da série "The Chosen", mostrando justamente o momento em que João anuncia a seu primo, N. S. Jesus Cristo, que irá enfrentar a degenerada corte do rei.
A passagem bíblica, bem ao estilo de texto litúrgico nos Evangelhos, curta e enigmática, pode suscitar questionamentos sobre João estar louco ou de que não devesse ter se metido em assunto particular do títere de Roma, a saber, em seu adultério/incesto com Herodias, a esposa de seu irmão. A conseqüência, todos conhecemos: João foi decapitado por ordem da rainha, no famoso incidente da dança de Salomé (Mateus 14:1-13; Marcos 6:14-30a; Lucas 3:18-20).
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| "Salomé dançando diante do rei Herodes" (1887), pintura de Georges-Antoine Rochegrosse (1859–1938). |
Ficamos ainda mais desconcertados com o referido episódio, afinal, Jesus sabia o que iria acontecer, mas João parte apenas com uma pálida recomendação para tomar cuidado. Não podemos saber se foi assim realmente - é uma liberdade artística do diretor da série. Mas tanto Jesus como João sabiam que o Reino de Deus não é obtido com revoluções políticas e sim revoluções na alma, e que, mais importante que a libertação do jugo romano, ou a reforma de instituições governamentais, está o esforço do indivíduo para se libertar do jugo de suas paixões e empreender a reforma de seus costumes segundo o espírito e sua lei moral, que a ordem natural da hierarquia põe acima que qualquer dita autoridade humana. O Reino de Deus, disse Jesus, é precisamente desses "violentos" (Mateus 11:12, Provérbio 16:32).
Com todo peso de uma tradição multimilenar de profetas hebreus, João assumiu os riscos tanto de dizer a verdade sobre o pecado, como de priorizar corretamente uma lei que obriga a todos, do escravo ao imperador. Como naqueles dias, hoje, tanto a sacralidade da família como a hierarquia natural de valores estão sob ameaça, não apenas com a influência limitada de sua dissolução nas vidas particulares, mas com a força de lei e repressão leviatânica do estatismo. Como naqueles dias, quando João e Jesus enfrentaram tal mundo e nos deram a estratégia para vencê-lo, ainda hoje trata-se da lei natural e sobrenatural: família natural e princípios sobrenaturais, não seqüestrados por terminologias e ideologias políticas, mas expressos nos seus próprios e perenes termos, ainda são o único caminho para o Reino de Deus.
"Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça (=santidade), e todas as demais coisas vos serão dadas em acréscimo" (Mateus 6:33). Se nós não lutamos para que a Lei Superior moralize a vida pública, as leis subterrâneas se imporão e desmoralizarão nossas vidas privadas.
São João Batista, rogai por nós!


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