Certo
homem se dirigia a uma conferência quando foi abordado por um
mendigo suplicando esmola. Procurou nos bolsos do casaco e da calça
e, como não tivesse dinheiro consigo, abaixou-se, arrancou as
fivelas de prata de seus sapatos e deu-as ao pobre. O homem seguiu e
compareceu diante do czar da Rússia com os sapatos amarrados com
fibras de palha. Seu nome: Johann Heinrich Pestalozzi.
Pestalozzi
nasceu em Zürich (Zurique), Suíça, em 12/01/1746 e conheceu a
pobreza desde cedo. Perdeu o pai aos 6 anos e foi sustentado com seus
dois irmãos pelos esforços heroicos de sua mãe Suzanne e da fiel
“empregada” Babeli (Barbara Schmid). Muito sensível e
melancólico, refletia sobre a condição humana observando a
indigência dos camponeses em volta do presbitério onde seu avô,
Andreas, era pastor luterano. Dele recebeu os rudimentos do latim e
na escola prosseguiu seus estudos.
Lá
era alvo das troças dos colegas que o chamavam “Henriquinho
Esquisito da Terra dos Tolos”. Em 1755, quando o terremoto de
Lisboa também sacudiu e assustou seu país, “Henriquinho”
manteve a serenidade e entrou na escola trepidante para salvar seus
livros e cadernos enquanto todos fugiam apavorados. Não bastasse a
coragem, certa vez, voltando da aula, o menino chegou em casa com seu
“Novo Testamento” desfalcado: retirara o cadeado de prata para
doá-lo a um camponês. Observava os casebres miseráveis
contrastando com a beleza natural da paisagem e se preocupava com o
destino das crianças que logo ingressariam nas fábricas para
trabalharem em regime de verdadeira escravidão. Que fazer para
ajudar?
