Hoje é um dia bom para nos fazermos essa pergunta. Neste mesmo dia e mês, em 1858,
aconteceu um fenômeno que as pessoas "científicas" costumam relegar ao
campo da superstição. Uma guria de 14 anos, com aparência de 10, dadas
as condições de extrema pobreza em que vivia (morava com a família numa
cela dum presídio desativado, por caridade do prefeito), asmática e com
problemas de estômago, viu uma luz numa caverna, aonde se dirigiu. A
região, nos Pirineus, onde isso ocorreu, tem seu dialeto próprio, no
qual é chamada de gave do Pau (gave, em sua língua, são torrentes das montanhas). Lá a menina viu uma mulher a quem se referia como Aquerò (no seu dialeto, "Aquela"). Essa mulher, para resumir, ninguém menos que a Virgem Maria, mandou a franzina Bernadete Soubirous cavoucar na terra, donde surgiu mais uma torrente de água, onde, dizia a Virgem, se operariam curas. É a famosa aparição de Lourdes, na França.
OK! Superstições! Carolice! Mas antes de chegarmos a tais conclusões, tão anticientificamente,
isto é, sem observação, sem hipótese a ser testada, sem experimentos,
sem outros processos conduzidos independentemente, etc., a pergunta mais
simples que podemos nos fazer é: como nós, pessoalmente, chegamos a
aceitar algo como verdadeiro? A Ciência é um fim em si ou apenas uma de
muitas formas de se chegar a um conhecimento verdadeiro? O que é mais
importante aí, o meio (método científico) ou o fim (a verdade)?
* * *
| Bernadete Soubirous (foto de 1861/2) |
O resultado: 65 casos foram confirmados (dentre o irrisório número dos que foram estudados). Um médico ateu, ganhador do Nobel de Medicina, Alexis Carrel, converteu-se imediatamente ao testemunhar diversas curas. Não foi o único.
Dos
65, o caso 24 lhe deverá interessar. Em 1867, um jardineiro de Jabbeke,
na Bélgica, caiu duma árvore e teve a perna esquerda esmagada, com
ruptura total da tíbia e do perônio. Um médico o
aconselhou a amputar a perna. Fratura torcida, que estilhaça os ossos e
produz fratura exposta, e ainda assim, recusou a proposta obstinadamente. Após 8
penosos anos de agravamento, em 1875, o pobre Peter Van Rudder,
de muletas, acompanhado pela esposa, pegou o trem para ir a Gand e, de
lá, de carruagem, chegar a um santuário mariano, em Oostakker, que
continha uma réplica da caverna de Lourdes. As testemunhas do trem
viram-no trocar os curativos; os da carruagem protestaram porque o pus
fedia e pingava. Foi um dia terrível em que Van Rudder teve que agüentar
as extremidades necrosadas dos ossos quebrados perfurando sua carne
gangrenada.
![]() |
| Santuário de Oostakker |
"O primeiro relatório,
apresentado por dois médicos que, já havia tempos, cuidavam dele,
descreveu assim aquele momento: 'a perna e o pé, muito inchados,
recuperaram imediatamente o volume normal, tanto que a bandagem caiu
sozinha. As duas feridas gangrenosas cicatrizaram-se. O mais importante é
que a tíbia e o perônio que estavam fraturados soldaram-se, não
obstante a distância que separava as partes de cada um deles. A
soldadura foi tão perfeita que as pernas voltaram a ter novamente o
mesmo tamanho'."
![]() |
| Peter Van Rudder após o milagre |
* * *
O livro donde tirei esse material diz: "O cientista não
tem necessidade de ver crescer novamente uma perna ou um olho. A ele
lhe basta a reprodução de apenas uma microscópica célula. O fenômeno,
para o cientista, não varia substancialmente de acordo com a variação apenas de quantidade". Se você é "científico", há de concordar.
De
volta à pergunta: Ciência (meio) ou Verdade (fim)? Por incrível que
pareça, nem todo mundo deseja a verdade. O fator subjetivo prepondera
sobre o objetivo. Ciência deixa de ser ciência quando não diz o que se
quer ouvir. Isso é particularmente gritante no campo político. Se a
verdade fosse o fim, testemunhá-la em primeira mão dispensaria qualquer
outro meio de chegar a ela. É o que se esperaria de uma pessoa
mentalmente sã. No que diz respeito a Lourdes, não foi o caso de Émile Zola.
Foi para o local determinado a desmascarar o que ele cria ser uma
impostura. Porém, pessoalmente, testemunhou duas curas. Atônito,
providenciou que as duas mulheres curadas saíssem do país, declarou-as
mortas e escreveu um livro infamante contra o fenômeno! Grande escritor.
Alma pequena.
* * *
Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!


Nenhum comentário:
Postar um comentário