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| Medo e desejo - tentações que todos enfrentam no caminho da Iluminação. |
Sidarta Gautama foi um príncipe indiano que rejeitou todos os prazeres que sua posição lhe conferia para se dedicar obstinadamente à busca pela solução de um só (mas gigantesco) problema: o sofrimento humano. Movido desde a infância por uma profunda compaixão por toda forma de vida, aos 29 anos abandonou o palácio (e a família - esposa e filho recém-nascido) para exercitar as filosofias da época, pregadas pelos gurus, que prometiam a libertação do ser do emaranhado da teia das sucessivas encarnações neste mundo de padecimentos físicos e morais. Sidarta encontrou uma saída através da disciplina da mente e da vigilância sobre os demais sentidos e legou ensinamentos extremamente pertinentes até (e talvez ainda mais) hoje. Cerca de 500 anos antes de Cristo, e mais de 2000 anos antes de Kardec, Sidarta elaborou uma doutrina reconhecidamente científica, na abordagem adotada, e técnica, nas propostas de ação a serem implementadas na busca pela Libertação. Tendo ele próprio atingido o estado de Iluminado, portanto liberto, Sidarta tornou-se O Buda, título pelo qual é mais conhecido (e reverenciado) em todo o mundo. A história de sua jornada até atingir esse estado de Iluminação pode ser vista no filme O pequeno Buda (1993), um espetáculo visual que, de quebra, ainda apresenta a espíritas e simpatizantes uma outra visão sobre a doutrina da Reencarnação, segundo o Budismo Tibetano.
A passagem abaixo foi retirada de uma obra de divulgação dos ensinos de Buda. Como Jesus, foram seus discípulos que registraram suas palavras em várias compilações, a mais famosa das quais o Dhammapada. É de grande importância para nossa reforma íntima porque lança um olhar sobre os fundamentos de nossas dificuldades de nos desvencilharmos dos clichês psicológicos viciados que emperram nossa completa cristificação.
"2. No mundo existem cinco grupos de desejos. Referem-se e se originam dos cinco sentidos. Assim temos: desejos que surgem das formas que os olhos vêem; dos sons que os ouvidos escutam; das fragrâncias que o nariz sente; do paladar que a língua sente, e das coisas que são agradáveis ao tato. Destas cinco portas abertas ao desejo, nasce o amor pelo conforto do corpo.
A passagem abaixo foi retirada de uma obra de divulgação dos ensinos de Buda. Como Jesus, foram seus discípulos que registraram suas palavras em várias compilações, a mais famosa das quais o Dhammapada. É de grande importância para nossa reforma íntima porque lança um olhar sobre os fundamentos de nossas dificuldades de nos desvencilharmos dos clichês psicológicos viciados que emperram nossa completa cristificação.
Parábola dos animais amarrados
"2. No mundo existem cinco grupos de desejos. Referem-se e se originam dos cinco sentidos. Assim temos: desejos que surgem das formas que os olhos vêem; dos sons que os ouvidos escutam; das fragrâncias que o nariz sente; do paladar que a língua sente, e das coisas que são agradáveis ao tato. Destas cinco portas abertas ao desejo, nasce o amor pelo conforto do corpo.
"Muitos homens, por alimentar o bem-estar do corpo, não percebem os males que seguem o conforto e são apanhados pelas demoníacas ciladas, como um cervo é apanhado pela armadilha do caçador. Estes cinco desejos, que surgem das diferentes sensações, são as mais perigosas armadilhas. Sendo apanhado por elas, os homens se enredam nas paixões mundanas e sofrem. Devem aprender um meio pelo qual possam escapar dessas ciladas.
"3. Não há nenhum meio pelo qual se possa escapar da cilada das paixões mundanas. Suponhamos que você tenha apanhado uma cobra, um crocodilo, um pássaro, um cão, uma raposa e um macaco, seis criaturas de natureza muito diversa, e que as tenha amarrado junto com uma corda e as tenha deixado ir. Cada uma delas tentará voltar às próprias tocas, por seus próprios meios: a cobra procurará abrigo na grama, o crocodilo buscará a água, o pássaro quererá voar, o cão procurará uma aldeia, a raposa procurará as solitárias orlas da floresta e o macaco procurará as árvores. Na tentativa de cada um buscar o caminho da fuga, haverá luta, mas, estando atados uns aos outros pela corda, o mais forte deles arrastará todo o resto.
"Como as criaturas nesta parábola, o homem é tentado de diversas maneiras pelos desejos dos seus seis sentidos - olhos, ouvidos, nariz, língua, tato e mente - e é controlado pelo desejo predominante.
Se as seis criaturas forem atadas a um poste, elas tentarão fugir até se extenuarem. Assim, os homens deverão treinar e controlar a mente, para que não tenham preocupações com os outros cinco sentidos, se a mente estiver sob controle, eles poderão ter felicidade não só agora, como também no futuro.
"4. [...] O homem que busca fama, riqueza e casos amorosos é como uma criança que lambe mel na lâmina de uma faca. [...] Não se deve confiar na mente que está cheia de cobiça, ira e estultícia. Não se deve deixar a mente desenfreada, deve-se mantê-la sob rígido controle.
"5. [...] É loucura um homem arrancar seus olhos, pelo temor de ser tentados pelas formas bonitas. A mente é o senhor e se ela estiver sob controle, os menores desejos desaparecerão.
"[...] Um homem trilhando o caminho da Iluminação é como um boi que carrega uma pesada carga, através de um campo lamacento. Se o boi der o melhor de si, não prestando atenção em outras coisas, poderá vencer o lodaçal e repousar. Assim, se a mente estiver sob controle e mantida no caminho certo, não haverá nenhuma lama da cobiça que o obstrua, e todo o seu sofrimento desaparecerá."
(Bukkyo Dendo Kyokai [Fundação para propagação do Budismo]. A doutrina de Buda. Parte III, "A ascese - o caminho da prática", capítulo I,"O caminho da purificação", parágrafos 2-5, Ed. Martin Claret, grifo nosso).
Para refletir e compartilhar
- Medite sobre os pontos sublinhados no texto
- Analise os paralelos com a Doutrina Cristã expressa nas Escrituras e na literatura Espírita
- Identifique suas "feras" e qual a mais forte que dá direção às demais.

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