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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Resenha: Terra dos homens (Antoine de Saint-Exupéry, 1939)

Ed. Nova Fronteira (2014), 160 pág.
"Quando temos consciência do nosso papel, mesmo o mais obscuro, só então somos felizes. Só então podemos viver em paz e morrer em paz, pois o que dá um sentido à vida dá um sentido à morte." (Saint-Exupéry)

"No oceano da escuridão" de tantas distrações depauperadoras do mundo moderno, aquele que lê esta obra septuagenária "se enriquece com a descoberta de outras consciências" - e o milagre da luz de uma consciência faz 'os homens se olharem com um grande sorriso'. 

Se faço uma paráfrase das palavras do próprio autor para apresentar seu livro, é que me falta a arte de sua concepção, pois o pensamento de Antoine Marie Jean-Baptiste Roger de Saint-Exupéry, um piloto de linha, voava mais alto que seu avião.

Aficionado por aviação,  Exupéry escreve em "Terra dos homens" uma apologia ao poder transformador do trabalho, especialmente naquilo em que, "ao se medir com um obstáculo, o homem aprende a se conhecer", e em que as relações humanas - o único "luxo verdadeiro" - ressaltam a moral de que "a grandeza de uma profissão é, antes de tudo, unir os homens".

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Resenha: "O estrangeiro" (Albert Camus, 1942)

Ed. Record, 122 páginas
"Compreendi, então, que um homem que houvesse vivido um único dia, poderia sem dificuldade passar 100 anos numa prisão. Teria recordações suficientes para não se entediar" (Meursault, protagonista de "O estrangeiro").

Este é o primeiro romance do filósofo franco-argelino Albert Camus (pronuncia-se /albérr kãmü/, com "biquinho"), laureado com o prêmio Nobel de 1957 "por sua importante produção literária que, com clarividente seriedade, ilumina os problemas da consciência humana em nossos tempos". É considerado uma das mais espetaculares estreias literárias de seu século.

O enfoque de Camus é corriqueiramente classificado como existencialista, o que o associa, a contra-gosto, a Sartre, embora sempre referisse a si mesmo como "filósofo do absurdo". Produzindo nessa linha, Camus espera que os paradoxos propostos em sua obra promovam o debate público, o que, no caso de "O estrangeiro", gira em torno da questão quanto a se o alheamento de uma pessoa aos sentimentos de seu tempo e cultura permitem-nos pelo menos presumir sua inocência.